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Atualizado em 18/03/2017 às 16h31

Projeto literário apoiado pela Prefeitura estimula troca de vivências entre escritores e leitores

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Da Redação - Agência São Luís

Projeto literário apoiado pela Prefeitura estimula troca de vivências entre escritores e leitores 

A 14ª edição do projeto Literatura Mútua (LM) promoveu, na última semana, bate papo com as escritoras Aurora da Graça, na Galeria Trapiche, e Sabryna Mendes, na Biblioteca Municipal José Sarney, equipamentos culturais da Prefeitura de São Luís. Idealizado pela jornalista e escritora Talita Guimarães, o projeto literário sem fins lucrativos visa reunir escritores contemporâneos em rodas de conversa mensais sobre experiências de leitura e escrita.

"Os livros dos escritores convidados me acompanham como amigos e eu tenho um carinho especial por esse contato. O estado de poesia da obra de Aurora tem uma grande importância nas memórias da literatura nacional, de uma escritora que conheceu de perto Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector", disse Talita Guimarães.

Após a leitura de trechos do poema "Tempo e Vida" e de uma carta de Clarice Lispector dedicada a Aurora, em outubro de 1977, a poetisa foi resgatando memórias de leituras que lhe estimularam na produção literária. "Eu lia muito as antologias de poesias do tempo de escola. Estudei no Liceu e sinto muita saudade desse período. A leitura de obras clássicas foi importante para encontrar 'a voz' que me conduziu à criação literária. José Chagas e Adélia Prado são duas grandes referências para mim", disse Aurora.

"Cavalo Dourado" (1977) foi seu primeiro livro publicado pela editora Sioge, após o incentivo dos escritores José Chagas e Jomar Moraes. Na coletânea "O Tempo Guardado das Pequenas Felicidades" (2009) é possível conferir a reunião revisada dos três primeiros livros da autora - "Cavalo Dourado" (1977), "Nó de Brilho" (1981) e "Memória da Paixão" (1987) – à sua poesia inédita.

Outro grande escritor que lhe conferiu legitimidade literária foi Carlos Drummond de Andrade, que ela conheceu pessoalmente durante uma caminhada na orla do Rio de Janeiro. À época, ela cursava o mestrado e o encontro foi inusitado. "Eu caminhava com um amigo e vimos o Drummond. Timidamente, chegamos próximo dele e recitei o único poema que eu sabia decorado. Daí, veio uma conversa e falei-lhe que era escritora. Ele pediu para enviar o texto e pouco menos de um mês recebi um cartão elogiando o trabalho e incentivando a publicação", lembrou Aurora.

Além de escritora, Aurora da Graça é também professora e bibliotecária. Para ela, assim como para Ferreira Gullar, a poesia nasce do espanto. "A poesia é ou não é dentro da gente. Ela pode surgir no cotidiano, numa noite solitária, num momento de beleza. Escrevo na hora do espanto ou também na minha rotina, com o material que tenho à disposição, um papel ou um pedaço de guardanapo", explicou.

Aurora foi se acostumando com a responsabilidade de escrever e declarou-se vaidosa com o 'dom' que lhe foi dado para a criação literária. "Deus me deu um dom e eu me sinto muito vaidosa, num lugar diferenciado do comum".

Ao ser questionada sobre o valor ético da literatura para a humanidade, ela destacou o desafio da mudança que a literatura proporciona e elogiou a iniciativa do projeto Literatura Mútua. "Eu quero parabenizar a Talita pela iniciativa porque a literatura é a melhor forma de mudar alguma coisa, cavar algo de positivo e transformar a convivência nos grupos sociais", refletiu.

"A poesia tem que ter força. O poeta deve achar a palavra certa. E o poema vai te transmitir uma coisa que você não sabe o que é. Não é uma descrição. A poesia tem que ser forte", finalizou Aurora.

BIBLIOTECA

Na tarde de sexta-feira (17), os alunos do Centro de Ensino Amazonas ficaram conhecendo a trajetória literária da escritora Sabryna Mendes, vencedora do 36 Concurso Literário Cidade de São Luís, com o romance "Cafés Amargos". A jovem escritora, premiada aos 19 anos de idade, comentou como se deu sua formação leitora na infância em Itapecuru-Mirim e como as aventuras dos livros de Pedro Bandeira, seu autor favorito, a inspiraram a escrever.

A conversa rendeu dicas de quadrinhos, poesias, biografias e romances lidos pelos estudantes, com idade entre 12 e 15 anos, além de sorteio de exemplares autografados do primeiro livro publicado por Sabryna. A próxima edição do Literatura Mútua acontecerá no dia 05 de abril, na Galeria Trapiche, com o poeta maranhense Dyl Pires.

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