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Atualizado em 16/06/2017 às 16h59

O olhar dos estudantes da U.E.B. Tiradentes sobre a cultura afro-maranhense

O olhar dos estudantes da U.E.B. Tiradentes sobre a cultura afro-maranhense

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Da Redação - Agência São Luís

O olhar dos estudantes da U.E.B. Tiradentes sobre a cultura afro-maranhenseApós uma semana de visitas às comunidades Taim e Rio dos Cachorros, na Vila Maranhão, os estudantes da Unidade de Educação Básica Infantil (U.E.B.) Tiradentes, também na Vila Maranhão, produziram cartazes, murais e instrumentos musicais retratando a história e a cultura dos moradores destas localidades, cuja maioria das famílias é descendente de quilombos. O trabalho dos estudantes rendeu a participação da escola no Encontro Maranhense de História da Educação, realizado na semana passada, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A U.E.B. Tiradentes, Educação Infantil, foi a única escola municipal selecionada para participar do encontro por meio do trabalho de pesquisa coordenado pela professora Suzana Cristina Santos Paixão, do Infantil II, intitulado "Relatos e Concepções da Cultura Africana na U.E.B. Tiradentes".

Moacir Feitosa, titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed), parabeniza o esforço dos professores e estudantes, destacando o viés de construção de uma educação cada vez mais inclusiva. "A Prefeitura de São Luís, na gestão do prefeito Edivaldo, tem investido em programas e parcerias que promovam a inclusão nas unidades de Educação Básica da rede e, por esse motivo, parabeniza os esforços dos nossos educadores na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva", ressalta Moacir Feitosa.

A partir da vivência das crianças nas comunidades Taim e Rio dos Cachorros, na observação das atividades diárias dos moradores – comércio, lazer e cultura – e mais especificamente das tradições religiosas predominantes nestas localidades, a professora produziu o seu trabalho de pesquisa utilizando a visão lúdica das crianças que, em sala de aula, recontaram o que viram e ouviram dos moradores por meio de desenhos e recortes de jornais e revistas. "É interessante perceber o olhar da criança sobre o que acontece nas comunidades, a simplicidade e a singeleza com que descreve o que as pessoas fazem", relata a pesquisadora.

A ideia do projeto surgiu, de acordo com a professora, com o objetivo de desconstruir a visão preconceituosa e estereotipada que existe por parte de muitas pessoas sobre as comunidades, especialmente com relação às atividades culturais e religiosas desenvolvidas por famílias descendentes de quilombos. "Nas diversas comunidades circunvizinhas, o que inclui ainda Cajueiro, Porto Grande, Mãe Chica e São Benedito, há as tradicionais festas do império, do Divino, benzimentos e o pagamento de promessas com crianças vestidas de anjo e de coroinha. Isso tudo faz parte da tradição destas comunidades, e que precisa ser respeitado e valorizado", assinala Suzana Paixão.

 

LEI

O trabalho desenvolvido pela U.E.B. Tiradentes também vai de encontro à Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da Educação Básica.

Além de ter sido publicada nos anais da Universidade Federal do Maranhão, a pesquisa da professora Suzana Cristina Santos Paixão (participante do Gipeab – Grupo de Pesquisa e Extensão Afro-Brasileira da UFMA) também será levada, no mês de setembro, para um evento de História da Educação no Pará. "O projeto teve um grande alcance e estamos muito felizes com o resultado. Vou representar a Universidade e a escola Tiradentes neste evento, que com certeza nos trará grandes frutos", relata Suzana, lembrando ainda que a participação das crianças contribuiu muito para a valorização e auto estima delas, 'para a aceitação do seu pertencimento'.

 

Yara Vitória da Cunha Silva, de 5 anos, e Jasmim dos Santos Silva, também 5, ambas do Infantil II na U.E.B. Tiradentes e moradoras da Vila Maranhão, disseram ter adorado passear pela comunidade e conversar com as pessoas. "É legal sair da escola e fazer coisas diferentes. Depois a professora mandou a gente desenhar o que viu. Eu gostei muito, pois uma das coisas que mais amo fazer é desenhar", conta Yara. "Eu também gosto de desenhar, mas o que mais gosto de fazer é ler e brincar", disse Jasmim.

A professora Sônia Maria Baldez, gestora da U.E.B. Tiradentes, também se disse muito satisfeita com o resultado. "Além da professora Suzana, outros professores abraçaram o projeto, o que resultou numa parceria que beneficiou toda a escola", assegura Sônia.

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