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Quinta-feira, 15/08/2019 - 15h50

Estudo realizado pela Prefeitura de São Luís apresenta dados estatísticos sobre violência contra a mulher na capital

Balanço feito pelo Centro de Referência no Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que se fortaleceu na gestão do prefeito Edivaldo, mostra que 95% dos casos são de violência doméstica, dados vão qualificar o atendimento realizado pelo órgão que funciona na Casa da Mulher Brasileira

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Da Redação - Agência São Luís

O Centro de Referência no Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAMSV), órgão da Prefeitura de São Luís vinculado à Coordenadoria Municipal da Mulher, divulgou, nesta quinta-feira (15), um balanço estatístico no qual traça um raio x minucioso da situação de violência contra a mulher na capital maranhense. O estudo apresenta o perfil da mulher agredida atendida pelo órgão em seus 11 anos de funcionamento, período no qual fez o acompanhamento de mais de 4.500 casos, totalizando mais 12 mil atendimentos realizados através dos diversas serviços disponibilizados pela Casa da Mulher Brasileira, local onde está instalado o órgão. O levantamento é parte das estratégias da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior, visando qualificar o atendimento na área e melhor direcionar as políticas públicas destinadas às mulheres vítimas de violência na capital.

No que concerne aos tipos de violências sofridas pelas mulheres que buscam o Centro de Referência, o estudo analítico revelou que a violência doméstica é a mais expressiva, com 95% dos casos, ou seja, 4.321 casos tipificados nessa forma. A divulgação do estudo, que revela também dados sociais e econômicos desse público, também integra a programação de atividades em celebração aos 13 anos de instituição da Lei Maria Penha, completados no dia 7 de agosto. Segundo a coordenadora municipal da Mulher, Vânia Albuquerque, os dados foram coletados pela equipe técnica do CRAMSV, a partir das informações relatadas pelas mulheres no ato do atendimento.

"A proposta é verificar o perfil do público atendido, vislumbrando melhor orientar futuras intervenções nas mais diversas áreas, sobretudo, nas que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher. Os resultados obtidos pelo estudo estatístico são de suma importância para que possamos desenvolver estratégias bem definidas que venham contribuir com o rompimento do ciclo da violência à mulher e fortalecer o trabalho realizado com a orientação do prefeito Edivaldo, no enfrentamento a essa realidade", observou Vânia Albuquerque.

Com relação ao perfil social da vítima, a pesquisa informa que o atendimento no CRAMSV se dá em maior quantidade a mulheres na faixa etária de 18 a 39 anos (71%), ou seja, foram 3.169 casos. Fragmentando os números por faixa etária, a pesquisa revela que 37% dos casos atendidos foram de mulheres de 30 a 39 anos, 34% de mulheres de 18 a 29 anos, 21% são mulheres na faixa dos 40 a 49 anos; 8,36% de 50 a 59 anos. O estudo também revelou casos de violência doméstica e familiar envolvendo idosas, registrando o atendimento de 1,06% de mulheres de 60 a 69 anos; 0,20% de mulheres na faixa etárias dos 70 a 79 anos e 0,15% de casos com mulheres de 80 a 89 anos.

Ainda analisando o perfil social das vítimas, o balanço aponta que 42% das mulheres atendidas (1.850) se encontram em situação de união estável; 27% são mulheres com separação de corpos; 16% casada civilmente e 12% do universo pesquisado são de mulheres solteiras. "Cabe ressaltar que, na maioria desses casos, o agressor é o próprio companheiro", frisou a Vânia Albuquerque.

O estudo também aponta uma incidência maior de violência doméstica contra mulheres pardas (51%). Em seguida vêm mulheres brancas (22%) e negras (17%). Outro dado relevante diz respeito ao grau de instrução das mulheres atendidas pelo CRAMSV. Somente 8,36% das mulheres têm curso superior, e a maior parte das vítimas atendidas, 37%, têm ensino médio completo; 23% têm apenas o ensino fundamental incompleto.

Com relação ao fator econômico, 1.745 mulheres (39%) declararam não possuir renda, o que representa total dependência financeira da vítima em relação ao agressor, um dos fatores que, conforme especialistas, contribui para o não rompimento da mulher com o ciclo de violência ao qual está submetida. Desse universo, 61% das mulheres atendidas possuem casa própria, sendo que boa parte dessas mulheres detém o bem em comunhão com o agressor. Os dados mostram ainda que as agressões contra a mulher ocorreram majoritariamente dentro de casa, pois foram relatados 3.289 casos ocorridos no ambiente residencial, sendo que dentre esses, 43% aconteceram na residência de ambos; 13% na residência da mulher e 0,59 % na casa do agressor. Conforme a pesquisa, a violência contra a mulher é praticada, em maior número por homens de seu próprio convívio familiar como companheiros, seguida de ex-companheiro e de maridos.

A pesquisa também revela o intervalo de tempo que a mulher permanece em situação de violência, o que geralmente acontece no período de um a três anos (31%) dos casos. As agressões são pelas mais diversas motivações, com destaque para o comportamento agressivo (19%), uso abusivo de álcool (18%) e ciúme (15%).

Conforme a coordenadora Vânia Albuquerque, o estudo veio corroborar com a constatação de que a violência doméstica afeta negativamente a integridade física e emocional da vítima. O alto nível de ansiedade foi registrado por 23% das mulheres atendidas, 21% apresentam medo excessivo, seguido por distúrbios como sono e alimentação (17%), baixa autoestima (16%), comportamento apático (8%), entre outros danos emocionais. São situações vivenciadas diante das formas de violência sofrida pela mulher, aspecto que também foi analisado no estudo feito CRAMSV. Os dados apontam que 29% sofrem violência psicológica, 26% violência moral, 23% violência física, 17,30% violência patrimonial e 6,46% violência sexual. Em 11 anos de funcionamento do CRAMSV, o estudo observou que boa parte das mulheres atendidas morava nos bairros Anjo da Guarda, Turu, Coroadinho e São Francisco.

Participaram do lançamento do estudo, em cerimônia realizada no auditório da Casa da Mulher Brasileira, os secretários municipais Héryco Coqueiro (segurança com Cidadania), Moacir Feitosa (Educação), a titular da Delegacia Especial da Mulher, Kazumi Tanaka, entre outros representantes de órgãos afins à área.

"Com a orientação do prefeito Edivaldo, o Centro de Referência no Atendimento à Mulher em Situação de Violência passou por uma completa reestruturação para qualificar o atendimento nessa área e proporcionar os serviços necessários ao seu melhor acolhimento. Hoje temos mais de 30 funcionárias da Guarda Municipal exercendo as mais diversas atividades aqui e contribuindo com esse serviço que tem feito a diferença no atendimento à mulher vítima de violência doméstica", afirmou o secretário municipal de Segurança com Cidadania, Héryco Coqueiro.

A delegada especial da Mulher, Kazumi Tanaka, também destacou positivamente o serviço CRAMSV. "A violência doméstica não é somente um problema de polícia, pois perpassa por outras instâncias de igual importância, como o serviço que é realizado pelo Centro de Referência. A mulher precisa saber dos seus direitos como mulher e cidadã, ser orientada acerca das ferramentas disponíveis para seu amparo e proteção. E no Centro de Referência a mulher tem tudo isso, para promover o resgate da sua liberdade e da sua dignidade", disse a delegada.

Como parte da programação realizada na Casa da Mulher Brasileira, a jovem autônoma Geise Vânia Silva e Souza, 28 anos, deu seu depoimento sobre o atendimento recebido no órgão, quando precisou denunciar a situação de violência doméstica que vivenciada à época. "O atendimento que recebi aqui foi fundamental para o meu processo de autoconhecimento e resgate da minha autoestima. Com a orientação que recebi consegui romper com o ciclo de violência e dar um basta a tudo que vivia", disse.

SERVIÇO

O Centro de Referência, que funciona na Casa da Mulher Brasileira, é a porta de entrada nos serviços que compõem a Rede de Atenção à Mulher em São Luís. O órgão é vinculado à Coordenadoria Municipal da Mulher (CMM), organismo municipal de articulação das políticas públicas para as mulheres no que tange a sua vida política, econômica, social e cultural, dentro da perspectiva de gênero, étnico-racial, de classe, dando suporte para o trabalho de prevenção e especializado no acompanhamento às mulheres vítimas de violência doméstica.

O serviço dispõe de uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogas, assessora jurídica, pedagogas, agentes administrativos, oferecendo atendimento humanizado e sigiloso que busca auxiliar as mulheres na ruptura do ciclo da violência vivenciado, priorizando e respeitando sua autonomia. Além disso, o órgão promove meios para que as mulheres se fortaleçam e exerçam autonomia e o resgate de sua cidadania. O atendimento às mulheres é feita com abordagem acolhedora, cuja escuta especializada oportuniza que elas relatem suas queixas e apresentem suas demandas, a fim de que recebam as orientações, o acompanhamento social, psicológico e jurídico necessários, bem como os encaminhamentos para outras instituições.

O CRAMSV articula ainda meios que favoreçam a inclusão da mulher em programas e projetos de capacitação e qualificação profissional, vislumbrando o aumento de sua renda e sua inserção no mercado de trabalho.

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