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Sexta-feira, 20/09/2019 - 17h02

Estudantes da Prefeitura de São Luís participam de roda de conversa sobre saúde mental em programação do Setembro Amarelo

Aproximadamente 300 estudantes da U.E.B Henrique de La Rocque, da área Itaqui-Bacanga, participaram de bate-papo sobre a campanha que alerta para a necessidade de prevenção ao suicídio

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Da Redação - Agência São Luís

Estudantes da Prefeitura de São Luís participam de roda de conversa sobre saúde mental em programação do Setembro AmareloEstudantes do 8º e 9º anos da Unidade de Educação Básica (U.E.B) Henrique de La Rocque Almeida participaram, na manhã desta sexta-feira (20), de roda de conversa com o tema “Setembro Amarelo e a Saúde Mental”, no Núcleo de Extensão da Vila Embratel. O evento foi a culminância das ações realizadas ao longo do mês de setembro com o objetivo de discutir a importância da saúde mental e sobre a prevenção da automutilação e do suicídio.

A roda de conversa contou com a participação da psicóloga Yullia Marizia e da estudante de psicologia Leila Brito; da professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e representante do Fórum Estadual de Prevenção da Automutilação e do Suicídio e do Coletivo de Mulheres do Maranhão Ieda Batista, Rosana Bordalo; a conselheira tutelar da área Itaqui-Bacanga, Danielle Bucele; além de professores e representantes da comunidade.

“É importante a realização de ações que possibilitam o protagonismo estudantil e o acesso a informações que fazem com que os jovens reflitam sobre o que acontece na sociedade. A comunidade escolar está participando ativamente desse debate, e é fundamental refletir e pensar todos juntos sobre as formas de prevenir não só o suicídio, mas também formas de automutilação corporal”, afirmou o secretário municipal de Educação, Moacir Feitosa.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O suicídio é um problema de saúde pública e que afeta um número cada vez maior de pessoas, inclusive de adolescentes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do planeta. Isso significa que, em um ano, mais de 800 mil pessoas perdem sua vida dessa forma. Daí a importância de discutir o tema e pensar nas estratégias de prevenção, como explicou a gestora Rodvânia Macedo.

“Falar com os alunos a respeito da saúde mental é uma forma de acolher, para evitar casos de depressão e ansiedade. Com a iniciativa da professora de Ensino Religioso, Moisilésia Bucele, foi desenvolvido um projeto para discutir esses temas, como uma forma de ajudar os alunos a pensarem, a reconhecerem e a entenderem melhor o que acontece com ele e com os próprios colegas”.

Ao longo do mês de setembro, os estudantes participaram de discussões, palestras, exposição de vídeos e audição de músicas voltadas para a temática. Entre os temas abordados estão a baixa autoestima, depressão, estatísticas de suicídio e automutilação. Os estudantes criaram inclusive grupos em aplicativo de mensagem instantânea para trocar informações e conversar sobre os temas.

“O objetivo do projeto é discutir sobre essas questões que estão presentes no dia a dia da sociedade e, sobretudo, contribuir para o empoderamento de cada um dos estudantes. Essa é a função social da escola, educar dentro da perspectiva de trabalhar os assuntos e discutir o que está em torno deles. A gente está se preparando, se prevenindo e se resguardando de todos os males que existem na sociedade. O que percebemos é que há mudança de postura e que eles vêm assumindo cada vez mais o protagonismo, inclusive na perspectiva do cuidado, da prevenção e da ajuda ao outro, da capacidade da empatia, de colocar-se no lugar do outro”, explicou a professora Moisilésia Bucele.

PARTICIPAÇÃO

A roda de conversa desta sexta-feira (20) teve a participação de cerca de 300 estudantes que construíram juntos a programação, sob a coordenação da professora de Ensino Religioso, Moisilésia Bucele. Para a estudante Iara Mendes do 9º ano foi importante discutir os temas na escola. “Foi bom porque na nossa idade passamos por muitas situações de ansiedade, então resolvi participar para saber mais e saber como ajudar outras pessoas. É importante falar sobre, já que muita gente não sabe lidar e quem tem, muitas vezes não consegue se aceitar”.

Para a representante do Fórum Estadual de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, Rosana Bordalo, a escola é o ambiente propício para essas discussões que empoderam os estudantes com informações e fazem com que eles reflitam sobre o que acontece na sociedade.

“A gente sabe que a educação é a área que está mais próxima desse público que está supostamente vulnerável à prática do suicídio e da automutilação. Então o que nós orientamos aos professores é que façam mais atividades com foco na saúde mental, não só no mês de setembro, mas durante todo o ano letivo. Que promovam diálogos, campanhas, projetos alternativos e dinâmicos, propostas que tratem das relações pessoais e que aproximem a escola das famílias. Precisamos trabalhar na educação a prevenção desses problemas”, pontuou.

De acordo com a psicóloga Yullia Marizia as causas do suicídio são variadas, e há forte relação com a depressão, uma doença que pode ser silenciosa. Então é importante ficar atento para perceber qualquer sinal que possa ser deixado como uma pista para o problema.

“O suicídio não é uma simples vontade de morrer, é uma medida extrema para acabar com a dor da alma e que muitas vezes está associado à depressão. Quem está próximo pode ter comportamentos para ajudar como a escuta, sem julgamento, pois a dor de cada um é única, e orientar sobre buscar ajuda especializada, com profissionais da saúde mental. Se a pessoa buscar ajuda ela vai sim encontrar uma saída, vai conseguir outras possibilidades”.

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