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Quarta-feira, 08/07/2020 - 16h56

Prefeitura de São Luís dá continuidade às ações formativas online para professores da rede municipal de ensino

Além das formações que já estavam em andamento, a Semed está realizando meetings e lives, a exemplo da “Racismo Estrutural e Práticas Pedagógicas Antirracistas desta quinta (09)”

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Da Redação - Agência São Luís

A pandemia mundial provocada pela Covid-19 alterou as dinâmicas sociais em todo o mundo e afeta significativamente o setor da educação. Para proteger estudantes, professores e suas famílias, as aulas presenciais na rede municipal da Prefeitura de São Luís foram paralisadas e escolas fechadas. A previsão da Secretaria Municipal de Educação (Semed) é de que as aulas sejam retomadas em agosto, ainda a depender das orientações dos órgãos de saúde. Enquanto isso, a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior dá continuidade às ações formativas para os professores e profissionais da rede utilizando plataformas online. 

“Enquanto esse retorno presencial não é possível, continuamos realizando as formações com os professores, pensando inclusive em estratégias para a educação à distância dos estudantes, caso esse período de pandemia seja ainda mais prolongado”, afirmou o secretário municipal de Educação, Moacir Feitosa.

Nesta quinta-feira (9) de julho, às 15h, monitores do programa federal Mais Educação, executado em São Luís pela Prefeitura, participarão de mais uma formação online com o tema “Educação, racismo estrutural e práticas pedagógicas antirracistas”. A live será mediada pelo professor Luiz Gonzaga França Pinheiro II, coordenador do Mais Educação pela Semed, e terá como palestrante a professora doutora Maria Raimunda Soares, ligada à Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) e cujas pesquisas de pós-doutorado em políticas públicas foram realizadas em comunidades quilombolas do Maranhão.

O secretário municipal de Educação, Moacir Feitosa, destaca que manter uma rotina de estudos e pesquisas é essencial para a manutenção e fortalecimento das práticas educativas. “As lives e encontros virtuais são instrumentos importantes para dar continuidade ao processo formativo dos professores, bem como dos facilitadores, mediadores e monitores que colaboram com as ações do programa Mais Educação”, assinala Moacir Feitosa.

A live será transmitida a partir das 15h, pelo canal do programa Mais Educação no Instagram (@maiseducacaoslz). As últimas temáticas trabalhadas em formações online promovidas no mês de junho, de acordo com informações do professor Luiz Gonzaga Pinheiro II, foram sobre “A importância da cultura em tempos de pandemia” e “O processo de reconstrução da educação integral em tempos de pandemia”.

O professor Luiz Pinheiro II informa ainda que a discussão sobre educação e racismo estrutural será tema de outros encontros virtuais com especialistas no assunto. Ele reforça que as lives "são direcionadas a todos os seguimentos do programa e visam demostrar a importância da educação complementar nos espaços escolares".

RACISMO

A professora doutora Maria Raimunda Soares também é assistente social, economista e coordena atualmente o Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-Brasileiro da Universidade Federal Fluminense (NEAB/UFF). Ela diz que o atual contexto (de pandemia e isolamento social), vivido no Brasil e no mundo, explicitou algumas contradições, formas de exploração e de opressão, que são estruturais na formação sócio-histórica do Brasil, mas que vinham sendo negligenciadas pela sociedade, principalmente pelo Estado; em especial, no que se refere à elaboração e implementação de políticas públicas. O racismo, para a pesquisadora, é uma dessas questões.

Nesse sentido, apesar da pandemia não ter criado essas contradições, e nem as vulnerabilidades sociais às quais a população negra é submetida, a professora Maria Raimunda diz que ela evidencia, de tal forma, que não se pode mais negar ou discutir no âmbito da sociedade e do Estado. “É por isso que são importantes iniciativas como essas, de debater, entender e enfrentar o racismo estrutural; pensar formas de enfrentamento e de superação do racismo estrutural no Brasil”, acrescenta.

No âmbito da educação, a pesquisadora afirma que esse debate é ainda mais necessário: “Como nos indicam vários intelectuais estudiosos negros, não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas, como forma de enfrentamento e combate ao racismo estrutural. Nesse sentido, é fundamental que a educação forme sujeitos antirracistas”.

Segundo Maria Raimunda Soares, a construção de uma educação antirracista não vai se dar através de projetos individuais e isolados, mas por meio de um projeto de educação diferenciado, onde é fundamental o papel dos educadores nas suas práticas cotidianas na construção desse projeto. “Nesse sentido, é possível práticas de educação antirracistas, mesmo que tenhamos um projeto hegemônico que ainda não seja construído nessa perspectiva”, assinala.

A educadora esclarece que tais práticas de educação antirracistas podem se dar no cotidiano da escola, e envolver várias ações, atividades pedagógicas, que, por exemplo, valorizem autores, intelectuais, pensadores, e escritores negros que fazem parte da história do país e que são negligenciados e esquecidos pela narrativa oficial. “Esse é apenas um exemplo de prática pedagógica que pode ser implementada no cotidiano da escola, por educadores que tenham uma perspectiva diferenciada e que pensem uma educação que de fato enfrente o racismo estrutural no Brasil”, finaliza.

FORMAÇÃO ONLINE

A Prefeitura de São Luís tem mantido uma rotina de atividades online para os educadores da rede. Em junho, os professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA), por exemplo, já participaram de três atividades formativas com temáticas que incluem a discussão sobre o papel do ensino da EJA em tempos de pandemia, a importância do professor diante deste cenário, desafios e limitações das aulas remotas na EJA, diferenças entre aula remota e ensino à distância, e conteúdos pedagógicos das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. 

De acordo com a superintendente da área de Educação de Jovens e Adultos, Raquel Indiara, as formações além de capacitar o professor para atuar em sala de aula, contribui para uma reflexão mais ampla a respeito do papel do educador para efetivação do processo de ensino e aprendizagem do estudante.

"Desde o início do ano estamos realizando ações formativas com os professores da EJA, porém com a pandemia, foi necessário rever a estrutura da formação e surgiu a necessidade de replanejar as ações e continuar o processo formativo online, utilizando diferentes ferramentas para preparar os professores para o retorno às aulas, que podem ser remotas ou presenciais. Por isso também estamos capacitando os professores e técnicos sobre ferramentas tecnológicas de apoio que poderão ser úteis no retorno às aulas", disse a superintendente.

FORMAÇÃO EDUCAÇÃO INFANTIL

As reuniões e formações à distância, também estão fazendo parte da rotina da superintendência de Educação Infantil e dos professores. Para a superintendente da área, Josie Descovi, é essencial que se mantenha esse contato e dar continuidade à formação.

“Essas reuniões são importantes porque estabelecemos vínculos, passamos informações institucionais e oportunizamos que todos e todas falem das suas certezas e incertezas nesse momento de pandemia, como estão se sentindo emocionalmente e quais as demandas para o reinício das atividades pedagógicas nas escolas”. E completa: “Tem sido desafiador porque tivemos que nos adaptar às novas tecnologias, com o uso das mídias, e a forma virtual de nos reunir, mas superamos os desafios e ficamos satisfeitos por podermos nos reunir novamente, ainda que virtualmente”, comemora.

A Superintendência de Educação Infantil deu continuidade às formações do Instituto Avante, com "O Tear Literário e a Ciranda Pedagógica",  para professoras do Infantil II, coordenadoras pedagógicas e equipe técnica da Superintendência de educação Infantil da Semed. Foram realizados também os seminários para professores, coordenadoras pedagógicas e gestores da Educação Infantil.

“Os seminários foram um sucesso, tivemos mais de 800 participantes em cada um. Foram de grande relevância porque os educadores e educadoras que deles participaram puderem refletir e discutir os desafios da Educação Infantil para o retorno da educação presencial. Todos perceberam que são muitos os desafios, mas há inúmeras possibilidades de se garantir que as crianças sejam atendidas em suas necessidades, de garantir os seus direitos”, pontua Josie Descovi.